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Há uma diferença entre receber respostas de Deus e aprender a conhecê-lo em Jesus Cristo.
A resposta chegou, mas não era a esperada. A porta permaneceu fechada, apesar das orações, da dedicação e do cuidado com cada detalhe. No primeiro momento veio a frustração. Depois, uma pergunta mais difícil: será que Deus ainda está comigo? Em poucos minutos, o resultado de uma situação concreta parecia ter se tornado a medida da proximidade divina.
Pedir a Deus que intervenha não é sinal de pouca fé. Há pedidos nas Escrituras que nascem da fome, da doença, da injustiça, do luto e do medo. O próprio Jesus nos ensinou a pedir o pão diário. A questão é outra: o que acontece com nossa imagem de Deus quando uma resposta não chega, quando um plano fracassa ou quando recebemos algo que jamais desejaríamos?
Quando a resposta ocupa o lugar da relação
Sem perceber, podemos organizar nossa espiritualidade como quem utiliza um serviço: apresentamos uma necessidade, aguardamos o atendimento e avaliamos a experiência pelo resultado. Se recebemos o que desejávamos, Deus parece próximo. Se a espera se prolonga, começamos a suspeitar da bondade dele. Uma oração respondida vira prova de amor; uma oração ainda sem resposta, prova de distância.
Essa lógica cobra um preço alto. Não permite descansar entre uma necessidade e outra. Exige confirmações constantes, como se o caráter de Deus precisasse ser demonstrado novamente a cada semana. E, em vez de nos tornar mais atentos a quem Deus é, pode nos tornar especialistas em acompanhar apenas o movimento das circunstâncias.
Não se trata de deixar de pedir cura, provisão, direção ou livramento. Trata-se de recusar que esses pedidos reduzam Deus a uma ferramenta para preservar todos os nossos planos. O coração pode estar sinceramente buscando ajuda e, ao mesmo tempo, necessitar de uma compreensão mais ampla daquele a quem pede.
Filipe queria ver o Pai. O Pai já estava sendo revelado
O capítulo 14 de João acontece num momento de inquietação entre os discípulos. Jesus os prepara para sua partida, fala do caminho ao Pai e lhes oferece palavras de consolo. Filipe então pede que Jesus lhes mostre o Pai. É uma solicitação compreensível; ainda havia muito que aqueles homens precisavam aprender sobre a pessoa diante deles.
[…] Quem me vê, vê o Pai. […]
João 14:9 (NVI 2011, trecho)
Jesus não está dizendo que o Pai e o Filho sejam a mesma pessoa. Ele está afirmando que o Pai é verdadeiramente conhecido no Filho: em sua palavra, em suas obras, na sua obediência e no caminho que culminará na cruz. A pergunta de Filipe não recebe um método para produzir experiências religiosas. Recebe a atenção dirigida à pessoa de Cristo.
Por isso, não podemos começar com uma imagem de Deus moldada apenas pela experiência que tivemos com autoridades humanas, pelas perdas que sofremos ou pelo que gostaríamos que o céu fizesse por nós. Precisamos olhar para Jesus. Ele acolhe pecadores, confronta a hipocrisia, chama ao arrependimento, lava os pés dos discípulos e entrega a própria vida. Nele, misericórdia e santidade não competem entre si.
Para quem viveu abandono, violência ou rejeição, a palavra “pai” pode ser especialmente difícil. A Escritura não exige que alguém finja ter boas lembranças para compreender a paternidade de Deus. Ela nos convida a conhecer o Pai como ele se revela em Cristo, sem confundi-lo com os limites e pecados de nossos referenciais humanos. Às vezes, essa caminhada requer companhia, tempo e cuidado qualificado.
Conhecer o Pai não torna a dor menos real
O evangelho não oferece a promessa de que cada porta se abrirá nem uma explicação imediata para toda perda. Basta acompanhar os evangelhos para perceber que a comunhão de Jesus com o Pai não o poupou do sofrimento. Sua confiança não era construída sobre a ausência da cruz, mas sobre a fidelidade daquele a quem obedecia.
Isso nos impede de usar a paternidade de Deus como argumento para silenciar o lamento de quem sofre. Há situações em que a resposta adequada não é uma frase pronta; é uma presença fiel, a oração sincera e a disposição de carregar o fardo com outra pessoa. O cristão pode chorar, pedir e confessar que não entende. A filiação não é uma encenação de tranquilidade.
A bondade do Pai não começa no momento em que a nossa necessidade é atendida.
O que muda na próxima oração?
O pedido pode ser o mesmo. Precisamos do emprego, da reconciliação, do sustento, da cura, de sabedoria para decidir. Mas a oração começa a respirar de outro modo quando lembramos a ordem ensinada por Jesus: o nome do Pai, a vinda do Reino e a vontade divina antecedem nossos pedidos pelo pão, pelo perdão e pelo livramento. Nenhuma dessas necessidades é ridicularizada; todas encontram seu lugar dentro da relação.
Venha o teu Reino; seja feita a tua vontade, assim na terra como no céu.
Mateus 6:10 (NVI 2011)
Talvez seja necessário reaprender a fazer uma pergunta simples depois de orar: além daquilo que solicitei, o que as palavras e as atitudes de Jesus revelam sobre o Pai em quem deposito minha confiança? Essa pergunta não resolve automaticamente o problema. Mas impede que o problema se torne nosso único retrato de Deus.
A porta ainda pode estar fechada amanhã. Não precisamos atribuir a isso um significado secreto nem fingir que a espera é fácil. Podemos voltar às Escrituras, permanecer em Cristo e continuar pedindo. O Pai que ele revela não deve ser medido apenas pelo que conseguimos segurar nas mãos.
Para continuar a leitura
No capítulo 3 de Órfãos de Crachá – De Escravo a Filho Amado, a reflexão passa da busca de um Deus útil para a descoberta do Pai que Jesus revela – sem desprezar a realidade das nossas necessidades.
Referências bíblicas
João 14:1–11; João 1:12–18; Mateus 6:7–13
Os trechos identificados como NVI 2011 são da Nova Versão Internacional de 2011. Texto bíblico © 1993, 2000, 2011, Biblica, Inc. As exposições e aplicações pastorais são do autor.
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