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Em Mateus 6:6, Jesus orienta o discípulo a entrar no quarto e orar ao Pai em secreto. Poucos versículos depois, ao apresentar o modelo de oração, ensina a dizer Pai nosso. A relação entre esses dois momentos nos ajuda a perceber que a intimidade com Deus também forma nossa responsabilidade por outras pessoas.
A passagem do ambiente reservado para a linguagem comunitária amplia o horizonte da oração. Podemos estar sozinhos no quarto e, ainda assim, reconhecer que pertencemos a um povo. O Pai a quem nos dirigimos cuida também de nossos irmãos.
O secreto nos afasta da busca de reconhecimento
Mas, quando você orar, vá para o seu quarto, feche a porta e ore ao seu Pai, que está em secreto. Então, o seu Pai, que vê em secreto, o recompensará.
[…]
Vocês devem orar assim: “Pai nosso, que estás nos céus! Santificado seja o teu nome.”
Mateus 6:6, 9 (NVI, 2023)
Em Mateus 6:5-8, Jesus confronta a oração realizada para ser vista e admirada. A orientação sobre o quarto dirige nossa atenção para o Pai, que vê em secreto. Podemos nos aproximar dele sem precisar produzir uma imagem de espiritualidade diante de outras pessoas.
Esse ensino não estabelece uma proibição da oração pública ou comunitária. Em Atos 2:42, a vida da igreja inclui a perseverança nas orações. O problema que Jesus confronta é a busca de reconhecimento humano no exercício da piedade.
O Pai-Nosso alarga o cuidado do discípulo
Em Mateus 6:9-13, os pedidos pelo pão, pelo perdão e pelo livramento são apresentados no plural. O discípulo aprende a levar suas necessidades a Deus sem perder de vista a vida de seus irmãos.
Esse modelo não proíbe que alguém se dirija pessoalmente a Deus. O próprio Jesus diz Meu Pai ao orar no Getsêmani (Mateus 26:39 e 42). A expressão Pai nosso, no ensino de Mateus 6, nos forma para reconhecer a dimensão comunitária da oração, sem eliminar a relação pessoal com o Pai.
Por isso, a frase o quarto é meu, mas a casa é nossa pode servir como uma imagem pastoral. Ela expressa o encontro entre a atenção pessoal a Deus e a consciência de pertencimento à sua família. É uma aplicação do ensino, e não uma regra que exclua outras formas bíblicas de oração.
Uma família reunida por Cristo
Em Efésios 2:11-22, Paulo anuncia a reconciliação de judeus e gentios em Cristo. Aqueles que antes estavam separados recebem, por um só Espírito, acesso ao Pai e passam a pertencer à família de Deus. A unidade da igreja nasce dessa obra de Cristo.
Pois por meio dele ambos temos acesso ao Pai por um mesmo Espírito. Portanto, vocês já não são estrangeiros nem forasteiros, mas concidadãos dos santos e membros da família de Deus.
Efésios 2:18-19 (NVI, 2023)
Podemos aplicar esse ensino ao cuidado mútuo na oração. Ao agradecer pela provisão da nossa casa, podemos lembrar de quem enfrenta necessidade. Ao pedir perdão, podemos examinar como temos tratado os irmãos. Ao buscar proteção, podemos interceder por quem atravessa aflição.
A comunidade descrita em Atos 2:42-47 reúne ensino, oração, comunhão e partilha. Esse testemunho nos convida a perceber que o cuidado por outras pessoas também pode se expressar em atitudes concretas.
Eles se dedicavam ao ensino dos apóstolos e à comunhão, ao partir do pão e às orações.
Atos 2:42 (NVI, 2023)
Quando separar um momento para orar hoje, desfrute da liberdade de falar pessoalmente com o Pai. Inclua também os nomes e as necessidades daqueles que ele colocou ao seu redor. Depois, considere como sua oração pode continuar em uma disposição de ouvir, repartir e servir.
Continue a reflexão
A dimensão pessoal e comunitária da oração integra o livro ORAÇÃO – O Dia em Que Minha Oração Virou Lista de Compras, de Marcus Quintão.
Leituras bíblicas: Mateus 6:5-13; 26:39, 42; Efésios 2:11-22; Atos 2:42-47. Citações bíblicas da Nova Versão Internacional (NVI, revisão de 2023). Exposição e aplicações pastorais do autor.