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Ao terminar uma oração, talvez você perceba que falou de contas a pagar, de uma decisão importante, da saúde de alguém querido e de dificuldades que precisam de solução. São necessidades reais. Podemos apresentá-las ao Senhor com sinceridade. A pergunta que merece nossa atenção é esta: como temos nos relacionado com aquele a quem dirigimos esses pedidos?
A vida de oração pode se estreitar quando toda a nossa atenção fica presa ao resultado esperado. Aos poucos, passamos a avaliar a bondade de Deus somente pelo que acontece com nossos planos. Jesus nos convida a conhecer o Pai e a levar nossas necessidades para dentro desse relacionamento.
Aprendemos a orar com Jesus
Certo dia, Jesus estava orando em determinado lugar. Tendo terminado, um dos seus discípulos lhe disse: – Senhor, ensina-nos a orar, como João ensinou os discípulos dele.
Lucas 11:1 (NVI, 2023)
Em Lucas 11:1-13, um discípulo pede: Senhor, ensina-nos a orar
(v. 1, NVI). Esse pedido nos lembra que a oração também faz parte do aprendizado de quem segue a Cristo. Podemos conhecer palavras religiosas e ainda precisar que o Senhor forme nossa maneira de nos aproximar de Deus.
Na resposta de Jesus, o cuidado com as necessidades humanas encontra seu lugar diante da santidade do nome de Deus e da vinda de seu reino. Há espaço para pedir o pão de cada dia, buscar perdão e reconhecer nossa necessidade de proteção. Levar pedidos concretos ao Pai faz parte do próprio ensino de Jesus.
No mesmo capítulo, Cristo encoraja os discípulos a pedir, buscar e bater. Ao falar da bondade paterna, anuncia a dádiva do Espírito Santo. A oração nos aproxima do Deus que ouve e cuida de seus filhos; seu propósito alcança mais do que a solução imediata de uma circunstância.
Portanto, se vocês, apesar de serem maus, sabem dar boas coisas aos seus filhos, quanto mais o Pai que está nos céus dará o Espírito Santo aos que lhe pedirem!
Lucas 11:13 (NVI, 2023)
Quando o resultado ocupa todo o espaço
Precisamos examinar nossas motivações com honestidade. Em Tiago 4:1-3, os pedidos são confrontados porque estavam ligados a desejos egoístas e a conflitos. Esse texto nos chama ao arrependimento quando usamos a oração para alimentar nossa própria vontade, sem consideração pelo Senhor e pelo próximo.
Essa advertência, porém, não nos autoriza a concluir que toda espera ou perda revela falta de fé. Há servos fiéis que sofrem e fazem pedidos cujo desfecho permanece difícil de compreender. A correção bíblica das motivações deve caminhar junto com o cuidado por quem está sofrendo.
Quando percebemos que nossos desejos precisam ser tratados, podemos levá-los ao Pai. Não precisamos apresentar um coração já inteiramente organizado para começar a orar. Em Cristo, encontramos misericórdia e graça para a nossa necessidade (Hebreus 4:14-16).
Permanecer em Cristo também forma nossos pedidos
Se vocês permanecerem em mim, e as minhas palavras permanecerem em vocês, pedirão o que quiserem, e será concedido.
João 15:7 (NVI, 2023)
Em João 15:4-12, Jesus relaciona a oração à permanência nele e à presença de suas palavras em nós. No contexto da videira e dos ramos, a vida do discípulo é sustentada por Cristo e chamada a produzir fruto. Por isso, pedir também envolve aprender a amar, obedecer e desejar segundo sua Palavra.
Podemos começar de maneira simples: ler uma passagem com atenção, reconhecer quem Deus se revela ser e então apresentar nossas necessidades. Enquanto pedimos ajuda para uma situação, podemos pedir também sabedoria para agir, disposição para obedecer e amor por quem será afetado por nossas escolhas.
Leve sua lista ao Pai. Apresente cada necessidade com liberdade e permita que a Palavra de Cristo ilumine o que você pede. A oração amadurece enquanto aprendemos a confiar no Senhor e a caminhar com ele, inclusive quando ainda aguardamos uma resposta.
Continue a reflexão
Esta reflexão se relaciona com o livro ORAÇÃO – O Dia em Que Minha Oração Virou Lista de Compras, de Marcus Quintão.
Leituras bíblicas: Lucas 11:1-13; Tiago 4:1-3; Hebreus 4:14-16; João 15:4-12. Citações bíblicas da Nova Versão Internacional (NVI, revisão de 2023). As demais exposições e aplicações são do autor.